Coordenação: Sueli Souza dos Santos

Dia da semana: 2ª feira

Frequência: Quinzenal

Duração: 14h às 15:30

Público: Interno

O estudo das Psicoses desde a psicanálise, proposto por Freud, inaugura uma leitura que rompe com a lógica médica e psicológica vigente a sua época. Freud inaugura um entendimento da formação do psiquismo para além da visão organicista, classificatória e normatizadora das relações sociais. A descoberta do inconsciente redesenha o estatuto do sofrimento psíquico. Freud encontra uma lógica nas formações do inconsciente que privilegia a produção de sentidos através de instâncias imaginárias tais como: as fantasias, as ilusões, as alucinações, os delírios, os sintomas, os sonhos, os atos falhos, os equívocos, o chiste. Podemos entender que independente de estrutura, ou seja, neurose, psicose ou perversão, o inconsciente se manifesta em trânsito por essas produções imaginárias.

O limite entre as manifestações neuróticas de suas pacientes histéricas, com suas dissociações e excessos, levam Freud a investigar como essas manifestações psíquicas e somáticas eram produzidas pela mordaça da palavra e que essa mordaça mortificava suas mentes. Além disso, Freud (1911) em seu estudo sobre o Presidente Schereber, publicado pelas memórias do próprio paciente, elucida as formações delirantes que o paciente foi construindo ao longo de sua história, de suas relações com as figuras parentais e sua violenta educação.

Através da reconstrução das articulações delirantes deste paciente em suas contorções de sentidos linguageiros e neologismos, Freud nos releva o percurso em que a psicose foi se construindo para que Schereber pudesse dizer de seu lugar num mundo de perseguição, opressão e recalcamento.

Os estudos das psicoses ganham espaço de novas formas de interrogantes da realidade, para além do princípio de realidade, para além do princípio do prazer, para além da suposta normalidade que, no mais das vezes, produz uma fragmentação incontornável entre a constituição de um eu e seu duplo ou sua multiplicidade. As inscrições pulsionais deixam marcas definitivas que interpretarão a realidade para além do real, posto que o real é inapreensível e intraduzível, e sem possibilidade de uma decifração correspondente. A pulsão, portanto, buscará formas imaginário e/ou simbólicas de resolução do que não encontra palavras para dizer de seu objeto, de sua função fálica, de seu desejo. Assim, pela linguagem, via palavra, buscará formular um discurso na tentativa de encontrar algum sentido. Com relação e isso, Lacan no Seminário I, dirá: “Atrás do que diz um discurso, há o que ele quer dizer, e, atrás do que quer dizer, há ainda um outro querer-dizer, e nada será nunca esgotado.” (LACAN. 1979, p.275)

Lacan se interessa pela psicose desde sua formação como médico psiquiatra. Sua tese de conclusão de curso de medicina terá uma forte marca da nova visão sobre a potência do inconsciente, muito embora em 1932, quando defende sua tese, ainda não fosse um profundo conhecedor de Freud sobre as psicoses. No entanto seu trabalho intitulado Da psicose paranóica em suas representações com a personalidade , Lacan estudará a psicose, rompendo com a visão médica e psicológica, tomando a história de uma paciente em seu contexto, para além da visão fenomenológica e organicista. Sua pesquisa sobre as psicoses ganham um novo fôlego exatamente a partir de seu aprofundamento sobre os estudos do inconsciente Freudiano, dos casos apresentados por Freud e que já repercutiam em movimento da cultura tanto na literatura, como no teatro de Antonin Artaud, nas artes plásticas com Dalí, Picasso, com o escritor e poeta Breton e seu Manifesto surrealista. Nesse sentido há uma grande aproximação com os surrealistas, que priorizavam essa nova visão do inconsciente como incontestável produtor de sentidos, como um escape da violência da realidade, na deriva do entre lugares entre o real, o simbólico e o imaginário.

O estudo proposto aqui para o segundo semestre de 2018, visa recorrer textos de Lacan sobre o tema da psicose, revisitando alguns textos freudianos. Tomando alguns dados biográficos sobre Jacques Lacan, via Roudinesco (1994), introduziremos o tema iniciando com os textos sobre As Loucuras Femininas –Parte II, que compreendem os seguintes pontos:

1. História de Marguerite – p.47
2. Elogio da paranóia – p.60
3. Leitura de Spinoza – p.67
4. As irmãs Papin – p. 76